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Arte Amazônica — Manifesto da PUPTI

A Amazônia não é um cenário. É uma tradição em atividade, um arquivo vivo de técnicas, cores, gestos e cosmologias que atravessam séculos e continuam a criar formas inéditas de sentido. A Pupti nasce dessa convicção: que a floresta, seus povos e suas cidades são produtores de arte — e que essa arte merece uma presença cuidada, ética e internacionalmente reconhecida.

Aqui se cruzam imagens rupestres que ainda falam, saberes transmitidos de mão a mão, ofícios invisíveis às grandes narrativas e uma matéria-prima singular — pigmentos, fibras, resinas, plumas e essências que não se repetem fora deste território. Essa combinação confere à obra amazônica algo que o mercado global hoje busca com renovada intensidade: origem documentada, singularidade técnica e uma narrativa humana que resiste à aceleração do consumo.

Vivemos um momento em que o mercado redefine suas fronteiras. O gosto não regride; transforma-se e evolui: hoje privilegia-se a experiência, a autenticidade e a proveniência. Nesse cenário, a arte amazônica aparece como resposta natural a essa demanda: oferece beleza com densidade histórica, objetos que conectam com a vida ao carregarem paisagens, idiomas e economias locais, e, sobretudo, histórias que merecem ser contadas com rigor.

Mas valorizar não é simplesmente comercializar

Há três urgências que orientam nosso trabalho — urgências que são, ao mesmo tempo, dever ético e estratégia de mercado:

Preservar saberes

Documentar técnicas, registrar mestres e garantir transmissão intergeracional.

Valorizar produção local

Estruturar cadeias que reconheçam e remuneram corretamente comunidades, artesãos e artistas.

Consolidar a presença da arte amazônica no diálogo global

Posicionar com rigor curatorial, pedagógico e comercial — sem exotismos, sem apropriações.

A curadoria, para a Pupti, é o gesto que une essas urgências: investigação, tutela e mercado. Investigar significa ouvir e aprender — mapear proveniências, processos e impactos. Tutelar é proteger autoria, negociar contratos de royalties e benefit-sharing, assegurar condições que evitem a depredação cultural e ambiental. E mercado é traduzir tudo isso em edições limitadas, coleções com ficha técnica, ambientes expositivos e experiências que valorizem a obra sem esvaziar sua origem.

Essa é uma curadoria de responsabilidade: escolhemos narrativas que merecem ser contadas, não apenas objetos que possam ser transacionados. Trabalhamos com artistas estabelecidos e com jovens mestres; dialogamos com comunidades ribeirinhas, quilombolas e povos indígenas; certificamos materiais, contratamos auditorias de procedência e desenhamos modelos de valorização que revertem benefícios locais. Assim a raridade se torna legítima — e a escassez, ética.

A arte amazônica tem ainda um papel urbano e metropolitano. Belém, Manaus, e outras cidades da região são laboratórios culturais onde tradição e contemporaneidade se encontram: ateliês, galerias e residências que moldam uma estética que dialoga com interiores sofisticados, com arquiteturas biofílicas e com espaços de bem-estar. Inserida nesses ambientes, a obra amazônica transforma interiores em territórios de sentido: não apenas pela presença visual, mas pelo peso de sua autoria e pela qualidade de suas matérias.

Para colecionadores, curadores e instituições, a Pupti oferece um caminho claro: curadoria técnica; provas de origem; contratos que garantem remuneração justa; edição e contextualização de obras; e projetos expositivos e de mercado que ampliam o valor estético e patrimonial. Fazemos do rigor a condição da sedução — porque somente o cuidado extremo cria desejo duradouro.

A Pupti é mais do que uma marca. É um movimento. É uma comunidade que entende que a arte amazônica exige profundidade — desejos genuínos, paciência, estudo e compromisso. É também uma promessa: transformar reconhecimento em economia justa, visibilidade em proteção, e mercado em plataforma de resistência cultural.

Se a Amazônia é território de arte, nossa tarefa é assegurar que essa arte circule com dignidade, alcance o olhar certo e, ao fazê-lo, fortaleça quem a produz. Convidamos editores, curadores, colecionadores e instituições a entrar nesse gesto — não como consumidores de exotismo, mas como parceiros de uma tradição que merece ser conhecida, preservada e celebrada em sua inteira complexidade.

Marcos Rego

Fundador | Curador | Consultor da PUPTI

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